Potência instalada e capacidade eólica no Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul alcançou a marca de 2.084,292 MW de capacidade eólica em operação em outubro de 2026, com 80 usinas geradoras fiscalizadas em atividade no território gaúcho. O estado consolida o 5º lugar nacional em potência instalada, alavancado por grandes polos de produção de energia limpa localizados nos extremos do mapa estadual. Em 2025, o parque gerador do Rio Grande do Sul foi responsável pelo fornecimento de 5,4 TWh de eletricidade eólica para o Sistema Interligado Nacional, destacando-se como o quinto maior estado gerador do país.
A infraestrutura em terra conta com um potencial mapeado de grande escala. A atualização do Atlas Eólico do Rio Grande do Sul divulgada em janeiro de 2015 calculou um potencial eólico onshore de 103 GW a 100 metros de altura e de 245 GW a 150 metros de altitude. Décadas antes, as primeiras medições técnicas consolidadas no Atlas Eólico de 2002, realizadas entre 2000 e 2002, já apontavam 15.840 MW onshore a 50 metros de altura em áreas com regimes de vento superiores a 7 m/s, atestando a vocação histórica do estado para o aproveitamento das correntes de ar.
Usinas da costa gaúcha e o polo de Santa Vitória do Palmar
O parque eólico gaúcho concentra seus geradores em dois eixos geográficos principais: o litoral e a fronteira oeste. A faixa costeira abriga usinas em municípios do litoral norte como Osório, Tramandaí, Xangri-lá e Palmares do Sul, além de instalações estratégicas no litoral sul, em Rio Grande, Chuí e Santa Vitória do Palmar. Santa Vitória do Palmar se consolidou como o polo de maior relevância entre os municípios da Região Sul do Brasil ao reunir 33 usinas eólicas em operação comercial, totalizando 627,89 MW de potência outorgada.
Dentre os principais empreendimentos da costa gaúcha, destaca-se o conjunto da Serena Chuí I (composto pelas usinas Verace I a X, Verace 24 a 36, Chuí I, II, IV, V e 09, além de Minuano I e II), localizado entre Santa Vitória do Palmar e Chuí, totalizando 582,8 MW de capacidade sob gestão da Serena Chuí I Energia S.A. desde 2015. Na mesma região, o Complexo Santa Vitória do Palmar (parques Aura Mangueira e Aura Mirim, somando 12 usinas) opera 207 MW sob responsabilidade da Atlantic Energias Renováveis desde 2017. Na costa setentrional, o pioneiro Complexo Eólico de Osório agrega 9 parques e 317,9 MW desde 2006, gerido pelas SPEs Ventos do Sul, Ventos da Lagoa, Ventos do Litoral e Ventos dos Índios, apresentado pela Statkraft. Em Xangri-lá, opera ainda uma usina singular de 31,7 MW pertencente à Honda Energy do Brasil.
Complexo Coxilha Negra em Santana do Livramento e a logística portuária de Rio Grande
No interior gaúcho, o destaque absoluto fica na fronteira oeste, no município de Santana do Livramento. A chamada Coxilha de Santana foi identificada nos levantamentos e mapas de vento a 50 metros do Atlas Eólico de 2002 como uma das faixas geográficas mais propícias e ventosas do estado, permitindo a instalação de usinas de alta tecnologia em terreno de coxilhas abertas. Na localidade operam as usinas Coxilha Negra 2, 3 e 4, somando 302,4 MW de potência instalada sob gestão da AXIA Energia Sul S.A. (grupo AXIA, ex-CGT Eletrosul e ex-Eletrobras) em atividade desde 2024.
O complexo eólico Coxilha Negra é equipado com 72 aerogeradores WEG com potência unitária de 4,2 MW de fabricação nacional. A montagem e a sustentação desse parque exigiram operações logísticas de grande porte a partir do litoral gaúcho. O primeiro lote com 20 pás eólicas de 72 metros de comprimento fabricadas pela Aeris no Ceará foi embarcado no Porto do Pecém e recebido por cabotagem no Porto do Rio Grande em 15 de novembro de 2023. Posteriormente, o Tecon Rio Grande (Wilson Sons) realizou sua primeira descarga de pás eólicas em dezembro de 2024, viabilizando o transporte rodoviário dos componentes gigantescos até Santana do Livramento.
Ventos sazonais, histórico operacional de Osório e os operadores do estado
As condições de vento e de relevo no Rio Grande do Sul impõem regimes de trabalho bastante específicos ao longo das estações do ano. De acordo com os relatórios do setor (ABEEólica/ANEEL/CCEE), o fator de capacidade médio mensal do parque eólico gaúcho em 2025 oscilou entre a mínima de 23,3% no mês de março e a máxima de 36,9% em agosto, aproximando-se da média anual brasileira de 37%. Essa variação sazonal define as melhores janelas climáticas para paradas de máquina e manutenções programadas nas turbinas.
O portfólio gaúcho reúne operadores como Serena (ex-Omega), AXIA Energia (ex-Eletrobras/CGT Eletrosul), Statkraft / Ventos do Sul Energia, Atlantic Energias Renováveis, Elebrás Projetos, ADS ER (responsável por Corredor do Senandes e Vento Aragano), Honda Energy do Brasil e Parques Eólicos Palmares S.A. A história do setor guarda fatos marcantes: em 2006, o núcleo original de Osório foi inaugurado com 75 aerogeradores e 150 MW assentados sobre torres de concreto. Já em 2014, o governo gaúcho apresentou o Complexo Campos Neutrais (composto por Geribatu, Chuí e Hermenegildo) como o maior conjunto da América Latina à época, somando somente no parque Geribatu 10 usinas, 129 aerogeradores e 258 MW. Anos mais tarde, em operação aprovada pelo Cade em 2020, a Omega (atualmente Serena) adquiriu da Eletrobras a carteira eólica de 583 MW no estado.
Projetos futuros onshore e a liderança gaúcha em eólica offshore no Ibama
O futuro da geração eólica no Rio Grande do Sul envolve uma carteira de expansão expressiva tanto em terra quanto sobre as águas marinhas. De acordo com os dados do SIGA em outubro de 2026, nenhuma usina eólica do estado consta na fase de obras físicas ativas, contudo há 51 usinas na condição de 'Construção não iniciada', totalizando 2.036,8 MW outorgados. Entre os projetos aguardando implantação figuram o complexo Três Divisas 1 a 18 (17 usinas e 778,5 MW da Vento Pampeiro nos municípios de Alegrete, Quaraí e Uruguaiana), Gran Sul 1 a 9 (9 usinas e 403,0 MW em Santa Vitória do Palmar), Canelões I a VIII (319,5 MW em Santa Vitória do Palmar) e São Miguel I a VIII (319,5 MW entre Chuí e Santa Vitória do Palmar, pela Vento Pampeiro), além dos parques Lagoa dos Barros I a III (66,72 MW) e Chicolomã (27,8 MW) em Osório e Santo Antônio da Patrulha. Adicionalmente, o Complexo Electra Ventos do Sul obteve Licença de Instalação emitida pela Fepam em julho de 2025 para 5 parques com 121,8 MW em Santa Vitória do Palmar.
No segmento marítimo offshore, o Rio Grande do Sul lidera as intenções de investimento no Brasil, somando 47,4 GW de potência requerida em processos de licenciamento ambiental abertos no Ibama até 27 de fevereiro de 2026. Mesmo após o processo de revisão do Ibama que reduziu os projetos em tramitação de 31 (em março de 2025) para 17 processos em fevereiro de 2026, o estado preserva a primeira posição nacional em capacidade offshore planejada. O Atlas Eólico gaúcho de 2014 estimou potencial marinho de 34 GW a 100 metros e 80 GW em lâmina de água de até 50 metros. Na infraestrutura portuária, destaca-se o projeto piloto Aura Sul Wind da JB Energy, planejado para o Porto do Rio Grande com turbina de 18,5 MW fixada em plataforma flutuante semissubmersível de concreto, cuja construção da estrutura está projetada para 2030.
Serviços de acesso por corda em aerogeradores pela Pentágono Alpinismo
O trabalho em aerogeradores de grande porte exige técnicas avançadas de posicionamento por cordas para transpor a altura das naceles e pás sem a necessidade de guindastes pesados ou montagem de andaimes no solo. A Pentágono Alpinismo, sediada em Curitiba-PR, atua na prestação de serviços especializados em estruturas elevadas por alpinismo industrial, realizando inspeções visuais detalhadas, verificação de juntas e manutenção externa nas partes mais críticas das turbinas.
Dentre as atividades técnicas oferecidas estão os serviços de limpeza técnica de pás eólicas e superfícies aerodinâmicas, tratamento e pintura anticorrosiva de fustes metálicos e estruturas expostas ao ambiente severo, bem como a colagem de adesivos técnicos e fixação de sinalização aeronáutica e visual de segurança nas torres. A mobilização de profissionais em altura assegura a conservação física dos componentes operacionais sem interferir nas áreas adjacentes dos complexos geradores.